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A escala das coisas

  • 20 de mar.
  • 2 min de leitura

Segunda feira  vi um meme que não saiu mais da minha cabeça.

Uma frase: Me drinking from a soggy straw to Save the planet. Embaixo “Leaders:” e uma imagem de guerra, aviões bombardeando um território. Traduzindo aqui: A gente usando canudinho de papel

Ri quando vi.Mas depois fiquei pensando nisso…


Existe algo profundamente desproporcional no mundo em que vivemos hoje.Somos constantemente convidados a nos preocupar com o planeta inteiro, com a política global, com o futuro da humanidade, com guerras do outro lado do mundo, com crises econômicas com a destruição da Amazônia, com a invasão da Groenlândia que parecem sempre à espreita.


E claro — tudo isso importa.


Mas também é verdade que nosso controle sobre essas coisas é praticamente zero. É triste mas é verdade.


E viver com a sensação permanente de responsabilidade por tudo isso é uma receita quase garantida de ansiedade.


Talvez por isso eu pense tanto na casa.


A casa é um território muito particular:é um dos poucos lugares do mundo onde ainda podemos exercer algum tipo de controle real.


É nosso refúgio pra tudo isso. É onde ainda temos o controle para construir algo agradável, de reunir objetos e pessoas queridas.


Podemos escolher a luz.

As cores.

Os objetos que ficam e os que vão embora.

As pessoas que convidamos para compartilha-la.


E para o resto da nossa vida a  relação da nossa casa com o mundo vale como símbolo. Símbolo da nossa pequenez, da nossa permanência fulgaz, da transitoriedade do mundo.


Por isso acho que é nossa responsabilidade dirigir nossa energia e felicidade para o que está perto, ao redor. No final do dia, a vida acontece exatamente no que nos rodeia. E para cuidar do planeta eu diria a mesma coisa. Minha mãe sempre me disse que se nos preocuparmos em fazer o bem e ser justo com as pessoas que estão perto de nós, já estaremos fazendo o melhor que podemos pelo mundo.



A tecnologia trouxe o mundo todo pra perto, mas a vida real ainda acontece perto, no que a gente toca, nos lugares que o  corpo ocupa, junto as pessoas com quem trocamos experiências.

Por isso acredito que viver bem é estar  feliz com o que te rodeia. As pessoas, a casa, os objetos, a luz e o que você decide iluminar com ela.


Não muda as guerras.

Não altera os rumos da política internacional.

Não resolve as grandes crises.


Mas muda profundamente a forma como vivemos dentro do mundo que existe.


Existe algo muito poderoso em cuidar bem do pequeno território que nos cabe.


Criar uma casa acolhedora.Escolher objetos que têm significado.Acen

der uma luz que muda o humor da noite.


Talvez viver bem a vida tenha mais a ver com isso do que imaginamos.



O bem, muitas vezes, acontece numa escala menor.

Nas escolhas que fazemos dentro de casa.

Nas pessoas que sentam à nossa mesa.

Nos ambientes que construímos para nós mesmos e para quem amamos.


O mundo pode continuar caótico lá fora.

Mas dentro de casa, pelo menos por algumas horas do dia,a gente ainda pode escolher que tipo de atmosfera quer criar.


 
 
 

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