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O que o deserto me ensinou sobre estar em casa

  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura

Existe um tipo de viagem que não é sobre descanso.

É sobre escala.


Sobre ir a um lugar tão grande, tão antigo, tão indiferente à presença humana — que você volta diferente. Não transformada. Redimensionada.


O Atacama é assim.

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Fui de corpo inteiro.

Caminhadas longas, paisagem que não cabe no olho. Umidade de 10% e altitude que incomoda.

Me hospedei no Explora — um hotel que compartilha esse mesmo princípio: a viagem como exploração real, não como consumo de paisagem.


E o deserto, que à primeira vista parece negar tudo,

foi generoso de um jeito que eu não esperava.


As cores.

As texturas.

As camadas de tempo inscrito na rocha, no sal, no silêncio.


Um lugar que parece hostil à vida —

e é, ao mesmo tempo, incrivelmente vivo.

Impossível estar lá e não ficar contemplativo.


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Algo que me despertou muito a atenção foi a água quente que brota do solo.


Ali, naquele chão árido e duro,

existe algo fervendo lá embaixo.

Invisível.

Silencioso.

Essencial.


Fiquei pensando em tudo que funciona assim.


As forças que não aparecem na superfície

mas são responsáveis pelos movimentos mais importantes.

O que sustenta a vida sem pedir atenção.

O que existe mesmo quando ninguém vê.



Gosto de viagens assim porque elas me devolvem perspectiva.


Diante de uma paisagem que tem milhões de anos,

minha lista de preocupações encolhe.

Meu ego também.


E o que fica é uma coisa simples, quase tola de tão óbvia:


O privilégio de estar aqui.


De ter olhos para ver essas cores.

Pernas para caminhar até lá.

Capacidade de se maravilhar.


Isso não é garantido.

As vezes precisamos do deserto para lembrar, mas poderíamos fazer isso em qualquer lugar.

A  rotina corrida da cidade nos impede.


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Mas tem algo que eu adoro numa viagem assim —

e que poucas pessoas falam.


A volta.


Entrar em casa depois de dias longe

e sentir que aquele lugar existe só para você.

A sua cama. A sua luz. O cheiro que só você reconhece.


O mundo pode ter lugares infinitamente mais lindos,

mais grandiosos, mais bem compostos.

Existem casas, ambientes muito melhor decorados, mais harmônicos, mais bonitos.


Mas nenhum deles tem o que a sua casa tem:


A história que você escolheu contar.

Os objetos que sobreviveram a todas as fases.

As memórias penduradas em cada canto.

O acúmulo de tudo o que você achou que valia a pena ficar.


Seu ninho.

Seu museu.

Seu refúgio.



É maravilhoso ir.


Mas é igualmente maravilhoso voltar para um lugar

que você construiu com intenção —

e que, quando você abre a porta,

já sabe o seu nome.


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Essencial Luz

Para casas que contam histórias

 
 
 

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