Quando a casa não fala de você, ela fala de quem?
- MANUELA TOSSI
- há 6 dias
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Entramos em casas bonitas o tempo todo.Bem resolvidas. Harmônicas. Certinhas.
Mas, às vezes, algo não acontece.
Não acolhe.
Não emociona.
Não permanece.
Talvez porque a casa não esteja falando de ninguém.
Ou talvez esteja falando — mas não de quem mora ali.
Hoje vemos muitos espaços que parecem seguir um roteiro seguro.
Paletas aprovadas.
Objetos corretos.
Soluções que funcionam em qualquer lugar.
O problema não é o bom gosto.
É o silêncio.
Porque uma casa sempre comunica.
Mesmo quando tenta ser neutra.
Mesmo quando evita risco.
Mesmo quando “não quer dizer nada”.
A neutralidade também é um discurso.
Existe um conforto emocional na imperfeição, no estranho, no fora do lugar.
É ali que nos encontramos com o que é ser humano.
Na vulnerabilidade que se expressa em escolhas pessoais que vão além do prazer estético, do conforto visual.
É naquela cúpula torta.
No retrato de família em um porta-retrato velho.
Na manta do cachorro jogada em cima do pufe.
É ali que sentimos o pulsar daquele lar.

Nossa casa é um reflexo do que escolhemos mostrar —e, muitas vezes, do que escolhemos esconder.
Ela carrega nossas referências, nossos medos, nossas fases.
Mesmo quando tudo parece genérico demais para chamar atenção.
Talvez o cansaço venha daí.
De morar em lugares que não nos representam.
De habitar espaços que parecem emprestados.
De viver cercado por escolhas que não dizem “eu”.
Talvez a gente não precise de mais coisas.
Talvez precise ouvir melhor o que a casa já está dizendo.












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