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Quando a casa não fala de você, ela fala de quem?


Entramos em casas bonitas o tempo todo.Bem resolvidas. Harmônicas. Certinhas.


Mas, às vezes, algo não acontece.

Não acolhe.

Não emociona.

Não permanece.

Talvez porque a casa não esteja falando de ninguém.

Ou talvez esteja falando — mas não de quem mora ali.

Hoje vemos muitos espaços que parecem seguir um roteiro seguro.

Paletas aprovadas.

Objetos corretos.

Soluções que funcionam em qualquer lugar.


O problema não é o bom gosto.

É o silêncio.


Porque uma casa sempre comunica.

Mesmo quando tenta ser neutra.

Mesmo quando evita risco.

Mesmo quando “não quer dizer nada”.


A neutralidade também é um discurso.


Existe um conforto emocional na imperfeição, no estranho, no fora do lugar.

É ali que nos encontramos com o que é ser humano.

Na vulnerabilidade que se expressa em escolhas pessoais que vão além do prazer estético, do conforto visual.


É naquela cúpula torta.

No retrato de família em um porta-retrato velho.

Na manta do cachorro jogada em cima do pufe.

É ali que sentimos o pulsar daquele lar.


Nossa casa é um reflexo do que escolhemos mostrar —e, muitas vezes, do que escolhemos esconder.

Ela carrega nossas referências, nossos medos, nossas fases.

Mesmo quando tudo parece genérico demais para chamar atenção.


Talvez o cansaço venha daí.

De morar em lugares que não nos representam.

De habitar espaços que parecem emprestados.

De viver cercado por escolhas que não dizem “eu”.


Talvez a gente não precise de mais coisas.


Talvez precise ouvir melhor o que a casa já está dizendo.

 
 
 

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